Disciplina e foco: o que uma pesquisa com 227 profissionais revelou sobre performance

Disciplina e foco: o que uma pesquisa com 227 profissionais revelou sobre performance

Disciplina e foco aparecem em quase toda conversa sobre alta performance, mas raramente alguém para para medir o quanto essas duas capacidades realmente faltam no dia a dia de profissionais e líderes. Foi exatamente isso que me motivou a fazer uma pesquisa com 227 pessoas que acompanham meu conteúdo, entre profissionais, executivos, empresários, empreendedores e pessoas ligadas ao esporte. O resultado me surpreendeu, não pela novidade dos problemas, mas pela clareza com que eles apareceram.

Cinquenta e cinco por cento das necessidades identificadas estavam ligadas diretamente à performance individual. E, dentro desse grupo, as três dores mais citadas foram: disciplina, constância e procrastinação (21%), foco, produtividade e organização (19%), e performance, mentalidade e resiliência (15%). Não são temas novos. Mas é revelador que profissionais que já se interessam por desenvolvimento, que chegaram até mim por palestras, conteúdos e eventos, ainda sintam essas lacunas como suas maiores dificuldades.

Passei boa parte da vida dentro de uma piscina tentando baixar centésimos de segundo. Aprendi cedo que saber o treino não era suficiente. Era preciso entrar na água, executar e repetir no dia seguinte. Vejo a mesma lógica no ambiente corporativo, e os dados confirmam isso com uma força que vale a pena analisar com cuidado.

Neste artigo você vai aprender:

  • O que 227 profissionais revelaram sobre suas maiores dificuldades de disciplina e foco
  • Por que saber o que fazer não é suficiente para gerar resultado consistente
  • Como os dados da pesquisa se conectam com estudos globais da Gallup e da Microsoft
  • Por que liderança começa na autoliderança, e não no cargo
  • O que a queda do engajamento global tem a ver com disciplina de execução
  • Qual é a verdadeira vantagem competitiva em um mundo com abundância de informação

O que a pesquisa mostrou: disciplina e foco como dores centrais

A pesquisa não foi desenhada para representar o profissional brasileiro em geral. Deixo isso claro porque a amostra é específica: 227 pessoas que já se conectam com temas como performance, carreira e desenvolvimento, e que chegaram até mim pelas redes sociais, por palestras ou por produtos digitais. É uma fotografia de uma audiência que já busca melhorar, e ainda assim disciplina e foco aparecem como os maiores obstáculos.

Quando organizei as respostas em territórios, o resultado foi: 55% das necessidades relacionadas à performance individual, 30% à evolução profissional e 15% ao esporte, à natação e à vida pessoal. Dentro do bloco de performance individual, o tema que apareceu com mais força foi exatamente a dificuldade de manter comportamentos ao longo do tempo, de sustentar a disciplina quando a motivação inicial passa e o foco começa a se dispersar entre as demandas do dia.

Isso me chamou a atenção porque aponta para algo que vivi por muitos anos no esporte e que continua aparecendo nas empresas onde realizo palestras: o grande desafio raramente é não saber o que fazer. É conseguir fazer, repetir e sustentar o que precisa ser feito. Técnica sem repetição não produz resultado na natação. Conhecimento sem execução não produz resultado no trabalho.

Foco em queda: o que os dados globais confirmam

Os dados da minha pesquisa ficam ainda mais interessantes quando colocados ao lado de estudos de maior escala. O Work Trend Index 2025 da Microsoft aponta que trabalhadores são interrompidos, em média, a cada dois minutos por reuniões, e-mails ou mensagens. A própria Microsoft descreve um ambiente em que 48% dos funcionários dizem que seu trabalho parece caótico e fragmentado. (Fonte: Microsoft Work Trend Index 2025)

Não estou dizendo que meus 227 participantes representam esse cenário global. Mas existe uma conexão que é difícil ignorar. Quando 55% da minha audiência, que já se interessa por desenvolvimento, aponta disciplina e foco como suas maiores lacunas, e quando os dados da Microsoft mostram um ambiente de trabalho estruturalmente fragmentado, fica claro que o problema não é individual. É sistêmico.

O State of the Global Workplace 2026 da Gallup, com dados coletados ao longo de 2025, reforça esse quadro. Apenas 20% dos profissionais no mundo estavam engajados no trabalho. No Brasil, o índice chegou a 32%, acima da média global, mas 45% dos trabalhadores brasileiros disseram ter sentido muito estresse no dia anterior. E a Gallup estima que o baixo engajamento global esteja associado a cerca de US$ 10 trilhões em perda de produtividade para a economia mundial, o equivalente a aproximadamente 9% do PIB global. (Fonte: Gallup State of the Global Workplace 2026)

Aquilo que parece uma conversa individual sobre foco e disciplina também é, na prática, uma conversa sobre produtividade e competitividade das empresas.

Liderança começa antes do cargo

Um dado da pesquisa me surpreendeu por um motivo diferente. Apenas cerca de 3% das necessidades mencionaram diretamente liderança, equipes ou relações de liderança. À primeira vista, isso poderia sugerir que o tema é menos relevante para esse grupo. Eu faço a leitura oposta.

Antes de liderar uma equipe, dar feedback, delegar ou cobrar responsabilidade, existe uma etapa anterior: liderar a si mesmo. E é exatamente isso que aparece com mais força na pesquisa: disciplina, constância, foco, organização e capacidade de execução. Quando alguém pergunta como manter o foco ou como reagir à pressão, talvez já esteja fazendo uma pergunta sobre autoliderança, mesmo sem usar essa palavra.

No esporte, aprendi isso de forma prática. Antes de querer influenciar qualquer pessoa ao meu redor, precisava assumir responsabilidade pelo meu treino, pela minha preparação e pela forma como reagia aos dias bons e ruins. No ambiente corporativo, não é diferente. Um líder que não consegue organizar as próprias prioridades terá dificuldade para dar clareza ao time. Um líder que não sustenta seus compromissos terá dificuldade para cobrar consistência dos outros.

Os dados da Gallup reforçam esse ponto de forma preocupante. O engajamento dos gestores caiu de 31% em 2022 para 22% em 2025, e a própria Gallup aponta essa queda como um dos principais responsáveis pela deterioração do engajamento global. Liderança não começa no cargo. Começa no comportamento.

[âncora → conteúdo sobre o Método HPA de alta performance]

Por que a informação não resolve o problema de disciplina

Existe uma pergunta que organiza bem tudo o que a pesquisa revelou: por que sabemos tanto sobre o que deveríamos fazer e, mesmo assim, temos tanta dificuldade para transformar conhecimento em comportamento e comportamento em resultado?

Com a inteligência artificial, o acesso à informação ficou ainda mais rápido. Em segundos é possível encontrar conceitos, modelos e respostas que antes levariam dias. Mas isso não está produzindo mais foco, mais engajamento ou mais capacidade de execução. Está produzindo, em muitos casos, mais ruído e mais paralisia.

A vantagem competitiva que está ficando escassa não é o conhecimento. É a capacidade de escolher bem, manter o foco, executar e sustentar bons comportamentos ao longo do tempo. No esporte, a informação nunca ganhou medalha sozinha. Execução, sim. E depois de quatro Olimpíadas e mais de doze medalhas em Campeonatos Mundiais, essa é a convicção que eu carrego para cada conversa com líderes e empresas. (Fonte: COB — Hall da Fama)

Alta performance não é sobre fazer algo extraordinário amanhã

Alta performance raramente nasce da pergunta “como faço algo extraordinário amanhã?”. Ela nasce de outra questão, muito mais simples e muito mais difícil de responder na prática: como consigo executar um pouco melhor aquilo que realmente importa, todos os dias?

Foi assim no esporte. E continua sendo assim na carreira, nos negócios e na liderança. Quando a pesquisa mostra que 55% das necessidades de uma audiência já engajada com desenvolvimento ainda estão ligadas a disciplina, foco e constância, o recado é claro: o problema não está na falta de informação. Está na dificuldade de transformar intenção em execução repetida.

Para as empresas, isso tem um desdobramento direto. Investir em competência técnica, ferramentas e processos é necessário, mas não suficiente. Os dados sugerem que olhar com a mesma atenção para clareza, disciplina de execução e qualidade da liderança pode ser o diferencial que separa equipes que sabem do que precisam fazer daquelas que realmente fazem. [âncora → artigo relacionado sobre liderança e gestão de equipes de alta performance]

Gustavo Borges como palestrante corporativo de alta performance

Ao longo de mais de duas décadas, Gustavo Borges acumulou quatro participações olímpicas, quatro medalhas, doze medalhas em Campeonatos Mundiais e dezenove pódios nos Jogos Pan-Americanos, tornando-se um dos maiores nomes da natação brasileira e membro do Hall da Fama Internacional da Natação. Esse histórico não é apenas uma credencial esportiva. É a base de uma leitura prática e direta sobre o que separa profissionais que sabem do que precisam fazer daqueles que realmente executam com consistência.

Nas palestras para líderes, equipes e eventos corporativos, Gustavo conecta disciplina, foco e autoliderança a resultados concretos de negócios, sem motivação genérica e sem atalhos. A conversa começa onde a maioria dos programas de desenvolvimento ainda não chega: na dificuldade real de transformar conhecimento em comportamento e comportamento em resultado sustentado.

Com mais de 2.000 empresas atendidas, a palestra Atitude de Campeão é uma das mais requisitadas por gestores de RH, diretores e C-level que buscam método, não apenas inspiração.

Perguntas frequentes

Por que disciplina é mais difícil de manter do que de desenvolver?

Porque disciplina depende de repetição em condições adversas, não apenas de motivação inicial. A pesquisa com 227 profissionais mostrou que 21% das necessidades estavam ligadas exatamente a essa dificuldade: manter a constância quando a energia e o entusiasmo do começo passam. No esporte, aprendemos que a disciplina se constrói com estrutura e ambiente, não só com força de vontade.

Qual a diferença entre foco e produtividade?

Foco é a capacidade de dirigir atenção para o que realmente importa, eliminando o acessório. Produtividade é o resultado de aplicar esse foco de forma consistente ao longo do tempo. Os dois andam juntos, mas o foco é anterior: sem ele, a produtividade se fragmenta entre tarefas urgentes e pouco relevantes. O Work Trend Index da Microsoft mostra que trabalhadores são interrompidos a cada dois minutos, o que torna o foco uma das capacidades mais escassas no ambiente de trabalho atual.

Como a disciplina esportiva se aplica ao ambiente corporativo?

A lógica é a mesma: técnica sem repetição não produz resultado. No esporte, o treino precisa ser executado mesmo nos dias ruins. No trabalho, as prioridades precisam ser mantidas mesmo quando as demandas do dia tentam desviar a atenção. A diferença está no ambiente: o esporte tem estrutura de treino clara, enquanto o ambiente corporativo exige que cada profissional construa essa estrutura por conta própria, o que torna a autoliderança indispensável.

Por que liderança começa pela autoliderança?

Porque é impossível cobrar de outros o que não se pratica. Um líder que não sustenta suas próprias prioridades terá dificuldade para dar clareza ao time. Um líder que não mantém a disciplina de execução terá dificuldade para cobrar consistência. Os dados da Gallup mostram que o engajamento dos gestores caiu de 31% em 2022 para 22% em 2025, e essa queda é apontada como um dos principais fatores da deterioração do engajamento global.

O que os dados da pesquisa dizem sobre o futuro da performance profissional?

Que a vantagem competitiva não está mais em ter acesso à informação, mas em escolher bem, manter o foco e executar com consistência. Com a inteligência artificial tornando o conhecimento cada vez mais acessível, a capacidade de sustentar bons comportamentos ao longo do tempo se torna o diferencial real. A pesquisa mostrou que mesmo profissionais engajados com desenvolvimento ainda têm disciplina e foco como suas maiores lacunas.

Como uma palestra sobre alta performance pode impactar equipes corporativas?

Quando a conversa parte de dados reais e de experiências vividas sob pressão extrema, como quatro Olimpíadas, ela deixa de ser motivacional e passa a ser prática. Os participantes saem com uma leitura mais clara sobre o que está travando a execução, e com ferramentas para construir disciplina e foco de forma estruturada, não apenas intencional.

Quer acessar a pesquisa completa com os dados de 227 profissionais?

Veja a análise detalhada sobre disciplina, foco e performance individual no relatório completo da Vincere Performance.

Acessar a pesquisa completa

Sobre Gustavo Borges

Gustavo Borges é medalhista olímpico, empresário, empreendedor e investidor. Cofundador da MGB, do Grupo GB, da Vincere Performance e das Academias GB, também é sócio da Vhita.