A vitamina da Superação

ago 16, 2020  |  por Gustavo Borges

Superação é uma daquelas palavras que me encantam. Afinal de contas, durante toda a minha carreira, esaa palavra esteve presente e sempre me guiou na busca dos objetivos. Os desafios do nosso dia a dia são enormes, sejam eles nas vidas pessoais ou no trabalho.

Normalmente, quando nos superamos, nós nadamos de braçada em direção aos nossos objetivos. Nadar de braçada é um termo muito usado na natação, mas que serve como analogia para qualquer área. O que é, para você, então, nadar de braçada? Fazer mais do mesmo ou ir além? Se contentar em atingir os objetivos ou superá-los?

Essas perguntas te levam a um estágio de busca e aprendizado constantes. E, com isso, ao crescimento. No esporte, é assim. Porém, temos de superar os nossos medos e receios para poder avançar. Coragem para enfrentar esse desafio é essencial. Porque coragem é o oposto do medo, e como diz Roberto Tranjan:

O medo faz com que você não esteja nem aqui nem acolá. O medo divide, e se o medo divide, a sua energia está dividida

Roberto Tranjan

Segundo Brendon Burchard, existem 3 tipos de medo:

  • Dor que gera perda (lost pain): medo de que a mudança pode trazer uma perda de algo que importa. Por exemplo, não falar com o parceiro com medo de brigar e da separação.
  • Dor do processo: vai ser trabalhoso, difícil, talvez não vamos conseguir executar tudo o que precisa ser feito. Então, é aquela famosa dor por antecipação.
  • Dor do resultado: aquela dor de que, se der certo, talvez não tenhamos tempo para a família, para o sucesso e tudo mais. A dor do fracasso também interfere na nossa busca. Mas, se não der certo, e aí? Medo da crítica ou do que os outros vão dizer sempre é uma barreira que precisamos superar.

Tudo isso tira o nosso foco daquilo que queremos fazer. E, pior, deixa o nosso trabalho mediano, sem consistência e faltando um pedaço. Quando a dor impera e supera a coragem, portanto, seria como entrar num jogo para perder. Imagine o resultado disso. Se precisar de algumas frases de superação para te ajudar, use-as, então, ao seu favor.

Aquele Pan de Winnipeg…

Já aconteceu exatamente isso comigo. Em 1999, no Pan de Winnipeg, fui nadar os 100 metros livre como bicampeão da prova e duas vezes medalhista olímpico nesse mesmo evento.

Nadei os 200 metros livre no primeiro dia, e ganhei o ouro. Dois dias depois, tinha um confronto com Fernando Scherer na prova dos 100 metros nado livre. No dia anterior à prova, eu estava bem confiante, estava nadando bem. Portanto, estava confortável.

Quando acordei, no dia dos 100 metros, e fui para a piscina, não estava tão confiante assim. Percebi o Fernando bem na água, o que me deixou preocupado. Nadamos a eliminatória e, quando retornei para o almoço, no hotel, já estava claro que, à tarde, eu seria o segundo colocado.

Mas calma, a história não acaba aí. Dei aquela descansada da tarde e, quando acordei, não estava me sentindo bem. Nesta hora, então, pensei em quem mais estaria na prova. E me lembrei de que um argentino muito bom, o Jose Meolans, nadaria a final naquele dia.

Pronto, já fui para as finais em terceiro lugar. Imagine isso: acordei campeão, almocei vice e cheguei para a nadar a prova em terceiro. Dessa maneira, nem preciso dizer qual medalha conquistei, né… Foi uma péssima prova e o resultado, muito ruim.

Qual aprendizado eu tirei, então? Que, quanto mais eu estava focado em outras pessoas e em algo fora do meu controle, mais agitado eu ficava e, assim, a minha ansiedade crescia. Eu sabia que estava bem fisicamente, mas a minha mente me dominou. Reagi mal e não nadei bem, ficando atrás dos meus principais concorrentes – caras que eu já havia vencido várias vezes.

A superação

Por outro lado, quando estive focado, mesmo depois de momentos ruins, eu me superei e cheguei mais longe. Nas Olimpíada de 1992, isso aconteceu. Não tive uma boa prova nos 200m livre, o que foi o contrário de Winnipeg, e, dois dias depois, no entanto, conquistei a prata nos 100m.

Qual a diferença das duas competições?

  • Coragem para enfrentar o problema.
  • Foco no que eu queria e podia controlar.
  • Persistir na minha busca.

O resultado disso foi a superação e a medalha de prata numa prova incrível. Portanto, quando temos clareza no que queremos, fica mais fácil voltarmos a nossa busca.

persistência Final Barcelona 1992
Persistência: a palavra na Olimpíada de 1992, na final dos 100m livre
Foto de Evandro Teixeira

Sacrifício e nossa relação com essa palavra

Sacrifício vem sempre carregado de um peso negativo. Alguma coisa que pagamos, que tem um preço para se fazer ou ter algum tipo de conquista. Por exemplo, é muito comum me perguntarem se eu tive de sacrificar muita coisa para chegar onde cheguei.

A palavra vem do latim “sacrificium” e significa “ofício sagrado”. Ou seja, uma busca na qual, a partir do que você considera sagrado, vale a pena investir seu tempo. Com isso, em momentos de vitórias ou derrotas, conseguimos voltar à essência de por que estamos perseguindo esse objetivo. Assim, persistimos na busca. A outra opção seria desistir, se o preço a ser pago, ou investido, for alto demais.

Quando a entrega carrega uma demanda de tempo ou esforço altos demais em relação ao que você está disposto a entregar, temos, então, um problema. Com isso, ao primeiro sinal de dificuldade, ou quando damos aquela cabeçada durante o processo, temos uma tendência a desistir. Dessa maneira, o sentimento de “isso não é para mim”, fica evidente e, com toda “tranquilidade”, focamos em outra coisa, sem persistir.

Mas, se estamos comprometidos com as nossas escolhas, focados no nosso objetivo e certos de que teremos momentos duros pela frente, a superação fica mais fácil.

A perseverança é a mãe da boa sorte

Miguel de Cervantes


Desistir ou persistir? Qual é a sua decisão em busca da superação?

Termos sucesso ou fracasso, em alguma ação, é sempre algo transitório. Ou seja, vencer ou perder faz parte do jogo. Eu pulei na água para competir 1.100 vezes ao longo da minha carreira. Isso quer dizer que, em toda vez em que eu caí na piscina para competir, dei meus 100%. Superação sempre!

“Ganhar ou perder é transitório, mas desistir ou persistir é a sua decisão”

Nem sempre cheguei em primeiro lugar ou quebrei um recorde, mas a superação estava em minha mente. Ou seja, eu tinha de me superar cada vez em que pulasse na piscina para treinar e competir. Além disso, assimilar todos os aprendizados que viriam com essas experiências.

Pulei 1.100 vezes na piscina para competir em alta performance. Ao longo da minha carreira, nadei mais de 43 milhões de metros para conquistar os meus objetivos. Como fiz isso? Superando a mim mesmo todos os dias

Quando fazemos algo por um tempo suficiente, ficamos bom no assunto. Faça um paralelo com a sua vida.

No que você é bom?

Onde pode ter superação?

Se não consegue enxergar nada, pronto: fica a dica! Dedique-se a algo e se supere sempre. Com essa prática, a longo prazo, sem dúvida, vai chegar à excelência.

Prepara… Vai!

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