Confira por que o ajuste de rota define o seu resultado
Tenho conversado com muitos gestores, empresários e líderes sobre metas, crescimento e objetivos para 2026. Já estamos entrando em junho e algo que percebo — não só no mercado corporativo, mas também na mente de muitos empreendedores — é que o meio do ano virou um momento importante de revisão.
Independentemente do tamanho da empresa, quase todo mundo está olhando para uma fotografia do momento.
- Estamos indo bem?
- Estamos abaixo?
- Estamos acima?
Ao participar de eventos corporativos, palestras e conversas com lideranças, percebo uma análise mais crítica dos times. Olhar para números, indicadores, esforço, capacidade de execução e também para algo mais difícil de medir: o comportamento das pessoas.
Porque resultado quase nunca acontece apenas pela estratégia no papel. Resultado é a combinação entre direção clara, pessoas preparadas e capacidade de execução. Afinal, uma boa estratégia sem gente comprometida vira intenção. E intenção sozinha não gera performance.
E isso explica por que o investimento em educação corporativa deixou de ser algo complementar para muitas empresas e passou a ser necessidade. Desenvolver pessoas talvez seja uma das decisões com maior retorno no longo prazo.
Mas olhando para este momento do ano, vejo empresas normalmente em três posições.
1. Empresas em linha com o planejado
Parece bom. Mas existe um perigo aqui. Quem está em linha às vezes relaxa — e isso pode ser um grande problema.
No esporte aprendi cedo que uma prova não termina quando você está bem posicionado. Ela termina quando você toca a borda. Já perdi e ganhei provas por centésimos.
Empresas que estão em linha precisam manter atenção, cadência e foco para sustentar o resultado e continuar evoluindo. E talvez fazer uma pergunta desconfortável:
2. Empresas acima da meta
Aqui mora outra armadilha. Celebrar resultado é importante, reconhecer conquistas também. Mas acreditar que já chegou costuma sair caro. Existe uma frase que gosto muito e uso com frequência nas minhas reflexões:
Uso muito isso nas reflexões que faço e também nos eventos que conduzo, porque vejo acontecer o tempo inteiro. No esporte, mesmo quando você está liderando uma prova, aprende a esticar e finalizar a braçada até o último momento. Parece detalhe, mas muitas medalhas olímpicas são decididas justamente nos detalhes. Nos negócios não é diferente.
Empresas que estão acima da meta precisam celebrar, reconhecer o esforço do time, mas continuar acelerando. Porque o ciclo só termina no último dia.
Palavras que gosto para esse momento: humildade para continuar aprendendo, celebrar para reconhecer o caminho percorrido e acelerar para não transformar resultado em acomodação.
3. Empresas abaixo do planejado
Talvez esse seja o grupo com maior oportunidade de crescimento. Porque ficar abaixo do projetado obriga líderes e empresas a fazer perguntas difíceis: onde estão os gargalos? O time tem clareza? Existe alinhamento? Estamos treinando pessoas para o cenário atual ou para um cenário que já mudou? Estamos olhando para os problemas certos?
Quando vejo empresas conseguirem virar o jogo, algumas palavras costumam aparecer com frequência: disciplina, excelência e dedicação. Porque resultado ruim raramente nasce de uma única grande decisão errada. Normalmente é consequência do acúmulo de pequenos desvios ignorados ao longo do tempo.
Quer medalha? Então treine como medalhista
Acredito mesmo que a transformação de qualquer líder começa pela humildade de reconhecer que ainda temos muito para aprender. Vivi isso no próprio corpo como atleta olímpico e continuo vendo hoje na educação corporativa, conversando com empresas e lideranças de diferentes segmentos.
Nos eventos presenciais, imersões e no trabalho que desenvolvemos com a Vincere Performance, conseguimos estar próximos das pessoas e aprofundar em temas que realmente mudam a forma de pensar e agir. E existe algo que atletas fazem muito bem, que quando aplicado nas empresas tem um potencial enorme: foco no que se quer construir, repetição quase obsessiva na busca pelo resultado e aperfeiçoamento constante para fazer melhor.
Esses elementos estão presentes na rotina de quem se prepara para Jogos Olímpicos e também no que gosto de chamar de “atleta corporativo” — aquele profissional que tem ambição, responsabilidade e desejo genuíno de resultado.
Um dos maiores desafios que vejo dentro das empresas é que algumas pessoas querem resultado de pódio entregando esforço de treino leve. Além de ineficaz, isso gera frustração, porque o resultado não aparece. Intenção sem comportamento vira expectativa. E expectativa sozinha não gera performance. Ilusão e sucesso raramente andam juntos.
Para atingir o máximo potencial, a dedicação precisa ser compatível com o resultado desejado.
No esporte e nos negócios, quem quer medalha precisa aceitar treinar como medalhista.
Vamos nadar de braçada.
Sobre Gustavo Borges
Gustavo Borges é medalhista olímpico, empresário, empreendedor e investidor. Cofundador da MGB (Metodologia Gustavo Borges), do Grupo GB, da Vincere Performance e das Academias GB, também é sócio da Vhita. Ao longo da carreira, conecta os aprendizados do esporte de alto rendimento com negócios, liderança, educação corporativa e desenvolvimento de pessoas.